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"Programa Mais Médicos" e reportagem "chapa branca" no CQC.


"Programa Mais Médicos" e reportagem "chapa branca" no CQC.

Sou o que se costuma chamar um "fã de carteirinha" do programa televisivo CQC (acrônimo para "Custe o Que Custar"), da Rede Bandeirantes de Televisão. Aliás, quando o descobri, demorei a perceber que se tratava de um programa humorístico - tamanha a importância e seriedade dos temas tratados. O comando de Marcelo Tas, brilhante, agrega valor à atração das noites de segunda-feira.

Fiquei muito decepcionado ao assistir, na noite do último dia 02 de setembro, uma reportagem sobre o "Programa Mais Médicos", do Governo Federal, que em nada faz jus ao elevado conceito que tenho daquele programa.

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O programa CQC defendeu firmemente o "Programa Mais Médicos". Os jornalistas têm esse direito: como qualquer cidadão, podem ter suas opiniões e não os critico por discordarem de mim - que não sou o dono da verdade. No entanto, surpreendeu-me a análise acrítica dos fatos, incompatível com a profundidade que costuma caracterizar as reportagens daquele programa.

Criticaram um senhor (do CRF, Conselho Federal de Medicina, creio) que comparou os médicos cubanos aos chamados "médicos de pés descalços" da China - em virtude da sua formação, que estaria aquém da dos médicos que se formam no Brasil. Ora, a toda evidência, essa crítica é muito pertinente. Alegar que é melhor ter algum atendimento, mesmo que de médicos formados no estrangeiro com pior formação do que seria de se esperar de médicos do Brasil, é uma falácia. Em primeiro lugar, cabe uma reflexão crítica que aqueles jornalistas deixaram de fazer: seria verdade que os médicos "estrangeiros" (na verdade, formados no estrangeiro) têm formação pior do que a dos médicos formados no Brasil?

Infelizmente, a resposta a essa indagação parece ser "sim". Tivessem os médicos "estrangeiros" formação tão boa (ou melhor) do que a dos médicos "brasileiros" (formados no Brasil), o Governo Federal não estaria querendo evitar que eles se submetessem ao exame chamado REVALIDA, usualmente aplicado a todo e qualquer médico que, tendo obtido sua graduação fora do Brasil, pretenda exercer a Medicina por aqui. Tampouco haveriam de querer um REVALIDA "especial", ao melhor estilo do consagrado "jeitinho brasileiro", para avaliá-los. Ao contrário, fariam questão de que isso ocorresse, pois demonstrariam estar dando ao povo do interior, sempre carente de médicos, profissionais ainda melhores do que os que atendem ao povo das grandes cidades.

Minha mãe foi uma mulher muito inteligente que, na minha infância, observava com muita atenção as receitas prescritas pelo excelente médico homeopata Dr. Cássio de Rezende e por outros de seus grandes contemporâneos. Analisava-as, lia livros de Homeopatia e aprendia a correta utilização de cada medicamento. Conseguia curar a família de doenças menos severas, economizando os parcos recursos então disponíveis para somente consultar um médico em situações mais graves. Certa vez, ela disse ao Dr. Cássio que me havia dado um certo medicamento e ele, enfurecido, lhe perguntou: "A senhora deu remédio para ele? Como a senhora deu remédio para ele? A senhora é médica?! A senhora é médica?!" Quando tivemos cães, sempre que um deles começava a espirrar ela lhe dava alguma daquelas "balinhas" homeopáticas e os espirros logo passavam; ela, então, debochava dos que se opunham à Homeopatia: "Esse pessoal diz que a Homeopatia não funciona, que é tudo psicológico... venham perguntar ao cachorro se ele sabe que aquilo é remédio..." Até sua morte, quando ela nos dava algum remédio brincávamos sobre a bronca que ela havia levado, perguntando-lhe: "A senhora é médica?! A senhora é médica?!"

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Lembro esse fato sobre minha mãe porque, embora tivesse bons conhecimentos práticos sobre a Homeopatia, faltavam-lhe conhecimentos mais profundos sobre o corpo humano - já que nunca freqüentou uma faculdade de Medicina. Certamente, o povo do interior estaria melhor se assistido por ela do que desassistido por qualquer médico. No entanto, se estivesse viva, ela poderia participar do "Programa Mais Médicos"? Evidentemente, a resposta é "não". Tampouco poderiam ser aceitos estudantes de Medicina ou quaisquer outras pessoas que, por maiores que fossem os seus conhecimentos, não tivessem sido graduados em atendimento a todas as exigências que a legislação brasileira faz para que alguém seja considerado médico. Ter mais conhecimentos do que um leigo não pode habilitar alguém ao exercício da Medicina no Brasil - aliás, de nenhuma outra profissão. Por que os médicos "estrangeiros" deveriam ser exceção? Aparentemente, o que o nosso governo nos diz é que o povo do interior é um "povo de segunda classe", pois pode ser atendido por pessoas que, nas grandes cidades, não poderiam ser considerados médicos. Se estudantes e outras pessoas menos leigas não podem sequer conduzir necrópsias, que não oferecem riscos à saúde dos "pacientes" (embora ofereçam risco à "saúde" do processo criminal correspondente), por que poderiam conduzir procedimentos médicos sobre pacientes vivos?

Sobre a chegada de médicos "estrangeiros", recebidos com vaias, o programa CQC classificou o ato como discriminação. Chegaram a chamar os manifestantes de racistas, por terem chamado os médicos cubanos de "escravos". Tal sofisma não se sustenta: é evidente que a palavra "escravo" não fazia referência a qualquer grupo étnico, mas ao fato (amplamente divulgado) de que os médicos de Cuba estariam sendo sub-remunerados, pois a maior parte do valor pago pelo "Programa Mais Médicos" seria recebido pelo governo de Cuba - uma ditadura que, notoriamente, tem recebido a estranhável simpatia de nossos governantes. Como diz o músico Lobão, quem se diz contra a ditadura militar do Brasil não deveria, por coerência, apoiar a ditadura de Cuba. Não é grave que aqueles médicos tenham sido comparados a escravos; é grave, sim, que o Governo Federal esteja adotando medida excepcional (pois os médicos de outros países receberiam suas remunerações integrais, sem qualquer repasse aos seus governos) que, como já foi divulgado na imprensa (e eu concordo), poderia caracterizar "redução de trabalhador a condição análoga à de escravo" - um crime previsto no artigo 149 do nosso Código Penal, cujo caput reproduzo abaixo:

"Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto:"

A reportagem também minimizou a falta de recursos no interior do Brasil. Alegou-se que a presença de médicos já seria um começo de solução. Talvez seja, mas... por que presidentes, ministros de estado, senadores, deputados e outros "figurões" da política nacional escolhem se submeter a cirurgias no Estado de São Paulo, onde se encontram os mais bem equipados centros médicos do país, em vez de procurar desequipados postos de atendimento do SUS em regiões distantes das lembranças dos nossos governantes? Certamente, nossos políticos conseguiriam calar seus críticos se eles se oferecessem para receber atendimento por médicos cubanos (ou de qualquer outra nacionalidade) que não se submeteram ao REVALIDA e participam do "Programa Mais Médicos".

Acho que não viverei o suficiente para ver isso acontecer - afinal, nossos políticos ainda não se ofereceram sequer para atendimento por médicos com formação acadêmica que atende à legislação brasileira nos hospitais do SUS disponíveis nas grandes cidades brasileiras. Já vai longe o tempo em que o governador Chagas Freitas, do Estado da Guanabara, causou nojo a muita gente ao beber água não tratada do Rio Guandu para demonstrar que ele não estaria contaminado. Devia acreditar mesmo nisso. É verdade que ele morreu pouco depois, mas também é verdade que ele já era bastante idoso e sua morte não foi conseqüência da ingestão daquela água.

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Não consegui compreender a postura "oficialista" do CQC, sempre tão crítico dos procedimentos equivocados dos órgãos governamentais. Estranhei muito a defesa, que me pareceu apaixonada, de um programa governamental cujos vários aspectos controversos (para se dizer o mínimo) são apontados não por pessoas despreparadas, mas por gente que conhece muito bem as questões da saúde no Brasil - a exemplo do Presidente do Conselho Federal de Medicina. Melhor postura, pareceu-me, foi a do jornalista Fernando Gabeira, que também muito admiro, no programa que estreou nesse domingo, 08 de setembro, na Globo News. Sem entrar em detalhes sobre o polêmico "Programa Mais Médicos", mostrou a falta de recursos básicos como leitos hospitalares para internações e equipamentos de raios X, analisou a crítica saúde do interior do Brasil e concluiu o que nossos governantes sempre souberam: o problema da saúde no Brasil não se resolve apenas com mais médicos (sem trocadilho).

Poderia prosseguir nesta análise, mas acredito não ser necessário alongá-la. Nossos políticos não deverão se candidatar a atendimento pelo SUS e alguém já disse que dar o exemplo não é a melhor maneira de se convencer alguém: é a única.


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Página inserida em 09 de setembro de 2013.

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