perito FRANCIONI - o "CASO JUAN MORAES": Monopólio de exames periciais de repercussãoperito FRANCIONI - o "CASO JUAN MORAES": Monopólio de exames periciais de repercussão
Como contratar o perito FRANCIONI para assistente técnico Laudos periciais realizados pelo perito FRANCIONI Pareceres técnicos do perito FRANCIONI Artigos jurí do perito FRANCIONI Palestras proferidas pelo perito FRANCIONI Curriculum vitæ do perito FRANCIONI Entre em contato com o perito FRANCIONI

página inicial voltar um nível código QR desta página - QR code
Perito FRANCIONI
assistente técnico para processos criminais
Assistência Técnica perito criminal FRANCIONIperito criminal RJ (perito oficial)

O “Caso Juan Moraes” – Será que a perita errou?
Análise dos procedimentos adotados pela PCERJ e pelo DGPTC sobre possível erro de perita legista.
Monopólio de exames periciais de grande repercussão

por Edilson FRANCIONI.


cartaz do Disque Denúncia exibindo fotografia do menino Juan Moraes e o texto: "DESAPARECIDO: JUAN MORAES; desaparecido desde 20.06.2011" / Juan Moraes desapareceu durante uma operação policial na favela Danon, em Nova Iguaçu, no último dia 20. / DISQUE DENÚNCIA: 2253-1177, RIO DE JANEIRO - RJ / ANONIMATO GARANTIDO / Todas as pistas serão investigadas / AJUDE A FAMÍLIA E A POLÍCIA DO RIO A ENCONTRÁ-LO"

Este texto é parte da análise do “caso Juan Moraes”.

A palavra “monopólio” apresenta, em suas origens latina e grega, natureza comercial: ambos os termos significam exclusividades ligadas ao comércio. Atualmente, essa palavra também significa “posse exclusiva, propriedade de um só” ou, figurativamente, “pretensão de exclusividade”. [1]

A Constituição de 1988 só prevê monopólios da União – nem mesmo de qualquer empresa estatal, mas apenas do ente federativo. Entidades públicas podem exercer algumas atividades com exclusividade decorrente de atribuição legalmente conferida, constituindo-se em “monopólios” estatais, lícitos, conformes ao Direito – sempre visando ao atendimento do interesse público. Se privados, monopólios ou “monopólios” não podem existir – justamente por privilegiarem interesses privados em oposição ao interesse público, maior.

Nesse contexto, parece evidente o descabimento de servidores públicos se atribuirem “monopólios” sobre atividades estatais. Nenhum servidor público pode dizer: “Este serviço é meu; somente eu posso executá-lo. Tal pretensão contrariaria tão flagrantemente a razoabilidade e o senso comum que é desnecessária qualquer explicação sobre sua ilicitude, pois muito evidente. Hipoteticamente, servidor que adotasse tal atitude exporia interesse particular, ilícito.

contrate um assistente técnico: conheça a formação acadêmica do perito Francioni

► Indícios de monopólio na Perícia Oficial:

Como visto ao se analisar a ilicitude de um diretor realizar perícias, inúmeras reportagens parecem indicar que o Dr. Sergio da Costa Henriques estaria se dedicando, com muita freqüência, à realização de exames periciais em casos de grande repercussão na imprensa. Fotografias registram-no em atitudes proativas nos locais de exame. Textos afirmam, expressamente, que ele próprio teria realizado as perícias. Como foi demonstrado, sua participação em exames periciais estaria registrada no “caso Patrícia Amieiro” e em vários exames do “caso Juan Moraes”.

O estudo do Direito ensina que exames periciais são atos administrativos e, como tal, sua finalidade deve ser o atendimento ao interesse público. Eventual (e hipotética) existência de interesse pessoal na realização de qualquer exame pericial pode, em tese, caracterizar improbidade administrativa.

Também se explicou que a ilicitude de um diretor realizar perícias reside em um fato simples: estudos de juristas brasileiros permitem concluir que exames periciais não podem ser avocados nem redistribuídos: um diretor não pode realizar exames nem escolher quem os realizará. Sem o saber, nossa imprensa vem registrando ilicitudes praticadas sem qualquer pudor e com o notório conhecimento de superiores hierárquicos – que as determinariam ou, pelo menos, as autorizariam tacitamente.

Não se afirma que interesses pessoais sejam a finalidade da participação do Diretor do DGPTC em exames periciais – sempre indevida, pois desacompanhada da necessária atribuição. Contudo, qualquer possibilidade de acusação indevida deveria ser afastada preventivamente pelo próprio Dr. Sergio Henriques – que poderia (e deveria) abster-se de participar de tais exames.

A participação do Diretor do DGPTC em perícias, indevida e reiterada, é muito importante, mas não é o fato mais estranhável. Não é preciso analisar com excessivo cuidado as dezenas de imagens dos vários exames aparentemente realizados pelo Dr. Sergio Henriques para perceber que algumas pessoas sempre o acompanham, inclusive em casos diferentes. Dentre as pessoas que o têm acompanhado, quando ele era Diretor do ICCE e, agora, como Diretor do DGPTC, está o perito criminal Dr. Miguel Archanjo da Silva Guimarães Júnior – sempre presente.

Na reprodução simulada do “caso Patrícia Amieiro” (abaixo), quando o Dr. Sergio Henriques era Diretor do ICCE, a imprensa registrou a presença do perito criminal Dr. Miguel Archanjo (trajando colete bege e botas).

“Caso Patrícia Amieiro”: Diretor do ICCE parece executar exame pericial. [2]
Automóvel de Patrícia Amieiro, de cor prata, virado em direção à câmera, tombado sobre seu lado esquerdo, com a porta traseira aberta: o Dr. Sergio Henriques, trajando terno cinza, de frente para a câmera, é a pessoa mais próxima ao veículo. Ao seu lado direito, pouco atrás, há uma pessoa trajando casaco escuro e boné branco; ao seu lado esquerdo, um policial militar, fardado, e outra pessoa, trajando casaco escuro, conversam com ele. Também à direita da tela, pelo lado esquerdo do Dr. Sergio Henriques, um perito criminal, trajando colete bege e calça escura, aproxima-se caminhando. Outras pessoas aparecem parcialmente na imagem, afastadas. O automóvel de Partícia Amieiro, de cor prata, de pé, é fotografado com "flash" por pessoa agachada trajando casaco escuro e calça cinza. Ao lado direito do fotógrafo, bem próximo, está o Dr. Sergio Henriques, trajando terno cinza, de pé. Ao lado esquerdo do fotógrafo, um pouco atrás deste, está um perito criminal, trajando colete bege e calça escura. Outras pessoas aparecem parcialmente na imagem, afastadas.

No recente “caso Juan Moraes”, como visto, o Dr. Sergio Henriques ocupa a função de Diretor do DGPTC e parece ter participado de vários exames – sempre na mesma companhia.

No exame de viaturas da PMERJ (abaixo) vê-se o perito criminal Dr. Miguel Archanjo (trajando camiseta cinza da Polícia Civil e boné).

O Diretor do DGPTC tenta afastar seu corpo de lona plástica que cobre viatura da PMERJ.
Sem usar jaleco ou luvas, sua gravata (sem prendedor) parece tocar a lona plástica. [3]
Em um estacionamento no qual se vêem colunas metálicas amarelas (de sustentação da cobertura do espaço em que as viaturas são mantidas estacionadas) e viaturas da Polícia Militar nas cores azul e branca, o Dr. Sergio da Costa Henriques, Diretor de Polícia Técnica, em trajes sociais (sapatos sociais pretos, calça escura, camisa cinza de mangas compridas e gravata bege) sem paletó, remove lona plástica preta que cobre viatura da Polícia Militar a ser examinada. O Dr. Sergio Henriques procura se afastar do veículo, mas seu tronco se inclina para a frente e sua gravata, sem prendedor ou alfinete, pende e parece tocar a lona plástica. Atrás dele ha uma viatura azul e branca da Polícia Militar ostentando a inscrição 20º. BPM e uma viatura preta e branca da Polícia Civil, a serviço do ICCE, com a tampa do porta-malas aberta e um policial trajando camiseta cinza da Polícia Civil, calça preta e boné pretos, sapatos de cor caramelo, parecendo buscar algo em seu interior. Ao fundo, há uma árvore e um muro pintado de azul e branco, cores usadas pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Ao exame de local (abaixo), novamente, compareceu o perito criminal Dr. Miguel Archanjo (trajando camiseta cinza da Polícia Civil e botas).

Ao lado de um perito, o Diretor do DGPTC segura, sem usar luva, um chinelo de Juan Moraes. [4]
O Diretor de Polícia Técnica, Dr. Sergio da Costa Henriques, trajando calça escura, camisa de mangas compridas de cor rosa e gravata de cor roxa, de pé em uma área de construção inacabada, havendo partes de colunas de concreto armado com vergalhões expostos, fragmentos de vigas, detritos e restos de materiais de construção espalhados pelo chão, parcialmente tomado por vegetação rasteira - denunciando interrupção da obra. Alguns metros atrás há uma pilha de tijolos e outros materiais de construção; ao fundo há um grupo de 4 pessoas, duas delas trajando jalecos brancos; ao longe, distante pouco mais de 50 metros, após trecho de vegetação rasteira, há uma casa branca. O Diretor do DGPTC, Dr. Sergio Henriques, segura um chinelo cor de rosa com a mão esquerda, sem usar luva. Ao seu lado direito está um perito criminal, segurando câmera fotográfica apoiada contra a sua barriga com sua mão esquerda, trajando camiseta cinza da Polícia Civil e calça escura. Ambos aparentam examinar o chinelo. A imagem permite supor que o repórter fotográfico que registrou a imagem estivesse a aproximadamente 4 metros de distância do Dr. Sergio Henriques e do perito criminal que o acompanhava.

Da reprodução simulada (abaixo) também participou o perito criminal Dr. Miguel Archanjo (na extremidade esquerda da imagem, com óculos escuros, trajando camisa azul e o que parece ser um colete bege, parcialmente encoberto por outra pessoa).

“Caso Juan Moraes”: o Diretor do DGPTC parece participar ativamente da reprodução simulada. Trajando camisa social azul clara e gravata escura, ocupa posição central, falando e gesticulando, com várias pessoas atrás. [5]
Várias pessoas se aglomeram em um lugar estreito, entre um muro alto pintado de branco e uma cerca rústica feita de arame preso à madeira de arbustos e galhos de árvores cortados. Em posição central está o Dr. Sergio Henriques, Diretor do DGPTC, trajando camisa social azul clara e gravata escura, que fala e gesticula para um pequeno grupo de pessoas à sua frente; aparenta explicar algo. Ao seu lado está uma pessoa sentada, usando uma camisa vermelha e um capuz preto, segurando muletas. Atrás deles há uma grande quantidade de pessoas, várias delas usando óculos escuros.

Abaixo, na exumação de restos mortais, o Dr. Sergio Henriques (na metade esquerda da foto, com camisa branca, gravata preta e óculos escuros) também se fez acompanhar do perito criminal Dr. Miguel Archanjo (na metade direita da foto, trajando camisa cinza da Polícia Civil, calça preta, boné e óculos escuros, com o braço direito erguido) – visto montando a tenda que cobriria o túmulo investigado.

“Caso Juan Moraes”: o Diretor do DGPTC esteve presente à exumação dos restos mortais (esq.: camisa branca, gravata preta e óculos escuros); conversa, enquanto uma tenda é montada. [6]
Em um cemitério, em primeiro plano, vê-se o túmulo de Juan Moraes, sobre o qual foram colocadas peças para a montagem de uma tenda. Três policiais montam uma tenda, segurando varas de sustentação, enquanto outro policial caminha em torno do túmulo e outro os observa, pouco atrás. Dois policiais militares observam a cena, à distância. Ao lado esquerdo, pouco atrás, o Dr. Sergio Henriques, trajando camisa social branca e gravata escura, com óculos escuros, conversa com um policial civil uniformizado (de costas) e uma mulher (parcialmente encoberta por esse policial civil).

contrate um assistente técnico: conheça trabalhos técnicos do perito Francioni

► Um vínculo não explicado:

Um fato administrativo ocorrido em 2010 e cujo motivo não é muito evidente vincula os peritos criminais Dr. Miguel Archanjo da Silva Guimarães Júnior e Dr. Sergio da Costa Henriques ao IPPGF – órgão usado para fundamentar acusações à perita legista Dra. Marilena Campos de Lima.

Em 09 de março de 2010, terça-feira, o Dr. Miguel Archanjo foi designado, “a contar de 26/02/2010, […] para responder pelo cargo em comissão de Diretor […] do Instituto de Pesquisa e Perícias em Genética Forense, do Departamento de Polícia Técnico-Científico, da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, […] sem prejuízo de suas funções no ICCE.” [7]

Três aspectos são estranháveis nessa nomeação:

  1. a nomeação é retroativa: como pode alguém responder por uma função antes de tê-la começado a exercer?

  2. o Dr. Miguel Archanjo é engenheiro químico e o órgão que deveria dirigir destina-se a realizar exames genéticos – tratando-se, portanto, de perícias biológicas. Parece provável que biólogos e médicos detenham maior conhecimento sobre esse tipo de exame – além de atribuição legal, pelos respectivos conselhos profissionais;

  3. a nomeação se fez “sem prejuízo de suas funções no ICCE”: como seria possível a um perito exercer suas funções em um órgão regularmente e, ao mesmo tempo, dirigir outro órgão? Em tese, haveria violação evidente ao princípio da eficiência, previsto na Constituição, pois como ele poderia realizar com qualidade todos os exames que um perito deve realizar diariamente? Além disso, embora os próprios termos da nomeação não o permitam, dificilmente lhe seria possível realizar todos os exames que lhe fossem atribuídos – então, ele precisaria selecionar os exames que realizaria e, porque peritos não podem escolher os exames que realizam segundo seu interesse pessoal (a finalidade de todo ato administrativo é atender ao interesse público), diretores não podem realizar perícias, sob pena de haver violação de atribuições funcionais. Outra questão administrativa permite questionar essa nomeação: é possível considerar que o diretor de um órgão público não esteja lotado nele? Ou deve-se admitir a possibilidade de lotação simultânea em 2 órgãos?

Portanto, aparentemente, trata-se de nomeação ilícita.

O Curso de Formação de Peritos (ministrado na ACADEPOL) e outros cursos assemelhados não habilitam pessoas a realizar exames periciais em área diversa da sua formação acadêmica. Em 2006 o perito FRANCIONI, engenheiro eletrônico, consultou órgãos de classe sobre sua habilitação para realizar perícias de Química, em face de ensinamentos específicos ministrados no Curso de Formação de Peritos. O parecer do CREA-RJ e o parecer do CRQ - 3ª. Região são convergentes: a formação acadêmica não pode divergir da natureza das perícias.

Apesar dos três aspectos acima, outra publicação – ainda mais estranhável – foi promovida pela Chefia de Polícia logo no dia seguinte.

Em 10 de março de 2010, quarta-feira, essa designação foi tornada sem efeito e, no mesmo ato, o Dr. Miguel Archanjo foi substituído pelo Dr. Sergio Henriques, designado “para responder pelo cargo em comissão de Diretor […] do Instituto de Pesquisa e Perícias em Genética Forense, do Departamento de Polícia Técnico-Científico, da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, […] sem prejuízo de suas funções como Diretor do ICCE.” [8]

Também nessa nomeação, três aspectos são estranháveis:

  1. o Dr. Miguel Archanjo foi substituído no dia seguinte ao da sua nomeação;

  2. o Dr. Sergio Henriques é químico – cabendo-lhe as mesmas restrições aplicáveis ao Dr. Miguel Archanjo quanto a dirigir órgão responsável por perícias biológicas;

  3. a nomeação se fez “sem prejuízo de suas funções como Diretor do ICCE” – admitindo o mesmo raciocínio usado para o Dr. Miguel Archanjo: violação ao princípio da eficiência e a (im)possibilidade de lotação simultânea em 2 órgãos. Essa nomeação, porém, parece ainda mais grave: se a simultaneidade do exercício de direção com a realização de perícias parece ilícita, que dizer do exercício simultâneo das direções de 2 órgãos?

Como devem ser consideradas essas nomeações perante os princípios constitucionais da eficiência, da razoabilidade e da moralidade?

Por que a Chefia de Polícia teria designado o Dr. Miguel Archanjo para exercer função de direção e substituído-o pelo Dr. Sergio Henriques no dia seguinte?

A falta de resposta a essa pergunta conduz a outra indagação: haveria alguma relação entre a substituição do Dr. Miguel Archanjo pelo Dr. Sergio Henriques e sua posição privilegiada de acompanhar o Diretor do DGPTC a perícias em casos de repercussão? Não há prova de que isso tenha ocorrido mas, em consideração meramente hipotética, cabe lembrar que eventual resposta positiva revelaria negociação do interesse público para a satisfação de interesse privado, cuja ilicitude dispensa comentário, de tão óbvia.

se você está tendo problemas por causa de uma perícia mal feita (má perícia) ou por uma perícia feita com má-fé (falsa perícia), defenda-se: tenha um assistente técnico como o perito Francioni

► Questionamento jurídico dos fatos:

O Dr. Sergio Henriques parece confundir a função de Diretor do DGPTC e o cargo público de perito criminal. Além de realizar exames periciais sem atribuição e escolher peritos para realizar exames, ele aparenta não se deixar acompanhar por peritos em serviço regular conforme escala de trabalho pré-estabelecida, nos dias, horas e locais em que exames se realizem. Em vez disso, manteria uma equipe pessoal para acompanhá-lo. Isso ocorre em uma Perícia na qual muitos peritos não dispõem sequer de um motorista que os conduza aos locais de exame e, por isso, dirigem ilegalmente viaturas policiais ostensivas, em péssimo estado de conservação e sem equipamento de rádio-comunicação, por lugares ermos e em horários avançados – situação que caracteriza evidente risco à vida. Tal contraste não parece razoável.

O perito FRANCIONI não dispõe de dados que lhe permitam dizer quantos (e quais) peritos integrariam suposta equipe pessoal do Dr. Sergio Henriques. Entretanto, um fato parece certo: pelo menos 1 (um) perito o acompanha regularmente: o Dr. Miguel Archanjo.

É possível que, em algumas oportunidades, o acompanhamento por uma equipe se justifique para o exercício da função de Diretor do DGPTC. No entanto, ela não consegue encontrar fundamento para a realização do trabalho pericial a que o Dr. Sergio Henriques se propõe – indevidamente.

Faz-se necessária uma análise jurídica dos fatos. Eventual existência de uma equipe pessoal que acompanhasse o Dr. Sergio Henriques em regime de exclusividade poderia desafiar princípios constitucionais, como: impessoalidade (pelo uso de critérios de escolha meramente pessoais), publicidade (pois a criação de tal equipe não teria sido divulgada), razoabilidade (pois não seria razoável criar equipe para atuar em casos de repercussão nos quais o Diretor resolvesse interferir, em violação às suas atribuições e a escalas de serviço pré-estabelecidas) e moralidade (sempre afetado por ataques a outros princípios) – apenas a título de exemplo.

Além da aparente violação a princípios constitucionais (examinada no parágrafo anterior), é importante lembrar que todo servidor público deve manter sigilo sobre fatos do serviço que o requeiram (sob pena de incorrer em crime de violação de sigilo funcionalCP, art. 325) e, também, que policiais civis estão submetidos a regra disciplinar específica (REPCERJ, art. 16, V). Cabe, então, indagar:

  • Há algum impedimento à realização desses exames, nos locais, dias e horários estabelecidos, pelos peritos em serviço, segundo a escala de trabalho?

  • A presença constante dessas pessoas decorreria de mera coincidência de escalas de serviço?

  • Os exames de que o Dr. Sergio Henriques participa têm algum sigilo especial que outros exames não tenham?

  • Desconsiderando-se, apenas para esta análise, que diretores não podem realizar perícias, existe algum impedimento a que outros peritos acompanhem o Dr. Sergio Henriques nesses exames?

  • Os detalhes sobre esses exames, referentes a casos diferentes, só podem ser conhecidos pelo mesmo grupo restrito de servidores? Há algum sigilo específico que envolva todos esses casos criminais nos quais o Dr. Sergio Henriques vem atuando sem atribuição?

  • Dentre os cerca de 300 peritos criminais do Estado do Rio de Janeiro, é possível que somente poucos peritos (talvez um único perito) estejam aptos a acompanhar o Dr. Sergio Henriques?

Em suas vidas privadas, pessoas podem ter confidentes que mereçam, com exclusividade, o conhecimento de seus segredos pessoais. No serviço público, porém, somente existe lugar para o sigilo funcional e deve prevalecer o princípio da impessoalidade.

A imprensa vem registrando uma série de fatos que parece se constituir em um verdadeiro monopólio de exames periciais de grande repercussão – sem amparo constitucional.

se houve um crime com arma de fogo, convém que um especialista em Balística Forense analise os laudos da Perícia: tenha um assistente técnico como o perito Francioni

► Uma piada que se renova:

Informalmente, em face de anomia que afeta a Perícia Oficial (ainda subordinada à Polícia Civil, sob crítica do Tribunal de Contas do Estado), o ICCE está subdividido em setores chamados de “serviços de perícias” – tais como o Serviço de Perícias de Armas de Fogo, o Serviço de Perícias de Química, o Serviço de Perícias de Documentos e alguns outos.

No início dos anos 2000, uma piada circulava no ICCE – com a discrição necessária para se evitarem “problemas”. Alguns peritos freqüentavam o Gabinete da Direção com muita regularidade e estavam sempre disponíveis para atuar em casos especialmente selecionados pelo Diretor (como em casos de repercussão na imprensa). É muito fácil perceber que esse tipo de atuação viola a escala de serviço e, portanto, também viola atribuições funcionais. A imensa maioria dos peritos não tinha (e, até hoje, ainda não tem) formação jurídica que lhe permitisse identificar essa ilicitude, mas o procedimento não parecia adequado. Maliciosamente, alguns peritos se referiam a um Serviço de Perícias de Gabinete – que, é claro, nunca existiu.

Uma década após, essa piada parece se renovar – em nível hierárquico mais elevado: no DGPTC.

Voltar para a análise do “caso Juan Moraes”.

o perito Francioni atua como assistente técnico para processos criminais em reproduções simuladas ("reconstituições") e na identificação de falsa perícia


REFERÊNCIAS:

[1] HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 1954. voltar

[2] Justiça inocenta policiais envolvidos no desaparecimento de Patrícia Amieiro Disponível em: <http://videos.r7.com/justica-inocenta-policiais-envolvidos-no-desaparecimento-de-patricia-amieiro/idmedia/d012b4c7abf639537ee5f0ef08493d9b.html>. Acesso em: jul. 2011. voltar

[3] Caso Juan: perícia acha sangue em carros da PM; exame de DNA confirmará se amostra é de menino desaparecido - Rio - Extra Online Disponível em: <http://extra.globo.com/noticias/rio/
caso-juan-pericia-acha-sangue-em-carros-da-pm-exame-de-dna-confirmara-se-amostra-de-menino-desaparecido-2123974.html
>. Acesso em: set. 2011. voltar

[4] ‘Meu filho não está mais vivo’, diz mãe do menino Juan - Casos de Polícia - Extra Online Disponível em: <http://extra.globo.com/casos-de-policia/meu-filho-nao-esta-mais-vivo-diz-mae-do-menino-juan-2131859.html>. Acesso em: jul. 2011. voltar

[5] Wanderson, de muletas, e seu pai acompanham a reconstituição do caso Juan - Casos de Polícia - Extra Online Disponível em: <http://extra.globo.com/casos-de-policia/wanderson-de-muletas-seu-pai-acompanham-reconstituicao-do-caso-juan-2199985.html>. Acesso em: out. 2011. voltar

[6] Corpo do menino Juan é exumado. Veja as fotos - Casos de Polícia - Extra Online Disponível em: <http://extra.globo.com/casos-de-policia/corpo-do-menino-juan-exumado-veja-as-fotos-2473033.html>. Acesso em: out. 2011. voltar

[7] Boletim Informativo da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, ano LXXVII, nº. 043, de 09 de março de 2010. Disponível em área de acesso restrito em: <http://www.policiacivil.rj.gov.br/>. voltar

[8] Boletim Informativo da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, ano LXXVII, nº. 044, de 10 de março de 2010. Disponível em área de acesso restrito em: <http://www.policiacivil.rj.gov.br/>. voltar

Divulgue esta página via:


Edilson FRANCIONI Coelho - perito criminal
Rio de Janeiro - RJ
entre em contato com o perito FRANCIONI

Assistente técnico para processos criminais.

  • perito criminal (Estado do Rio de Janeiro):
    - Balística Forense (armas de fogo, acessórios, munição etc.);
    - locais de crimes;
    - identificação fotográfica;
  • engenheiro eletrônico (UERJ);
  • pós-graduado em Direito (ISMP);
  • autor de artigos jurídicos sobre a nulidade de laudos periciais;
  • palestrante em eventos técnicos da Perícia Oficial.

Você está no portal: http://www.perito-francioni.com.br/.

Cartão de visitas virtual do perito FRANCIONI:
cartão de visitas do perito FRANCIONI em código QR - QR code

TwitterFacebookLinkedInGoogle+

Página inserida em 17 de novembro de 2011.

perito FRANCIONE Edilson FRANCIONE Coelho perito Edilson FRANCIONE Coelho perito criminal Edilson FRANCIONE Coelho